"Como funciona a sensibilização da célula na presença de corticosteórides?”
Essa pergunta foi feita no Watch N’ Ask ao grupo de Corticóides, e como se relacionava ao assunto de nossos futuros posts, decidimos juntar a resposta dessa pergunta ao conteúdo que ainda faltava ser apresentado de sensibilidade aos glicocorticóides. Por esse motivo, e para que a resposta seja fornecida de forma mais completa o possível, separamos a resposta em alguns posts complementares.
Os glicorcoticóides, como já dito em posts anteriores, são produzidos secretados pelo córtex adrenal e exercem um papel fundamental e diversos órgãos e sistemas, participando da regulação fisiológica e da adaptação a situações de “stress”. A concentração desse glicocorticóide circulante é regulada através do ajuste do eixo hipotalâmico (Hormônio Liberador de Corticotrofina/CRH) – hipofisário (Hormônio Adrenocorticotrófico/ACTH) – adrenal (produção propriamente dita de corticóides), influenciado por fatores como o ciclo ciadiano, o stress e o feedback negativo.
Já os Receptores Glicocorticóides (GR) são as moléculas que traduzem o sinal dos Glicocorticóides. Elas são proteínas citoplasmáticas, pertencentes à classe dos receptores nucleares, e atuam como fatores de transcrição, alterando a expressão de um gene alvo em resposta a um sinal hormonal específico. Sua atuação ocorre basicamente em três níveis: recrutando os fatores da maquinaria geral de transcrição, modulando a ação desses fatores (independentemente à ligação ao DNA) e modulando a estrutura da cromatina, permitindo a ligação de outras proteínas reguladoras ao material genético. Um fato interessante é que a regulação das concentrações de glicocorticóides por feedback negativo anteriormente citada ocorre pelo próprio hormônio glicocorticóide quando este interage com os receptores presentes no hipotálamo e na hipófise.
Agora, vamos aprofundar um pouco mais a respeito da estrutura desse receptor. Como já dissemos, o receptor glicocorticóide faz parte da classe dos receptores nucleares. Esta classe de receptores possui uma estrutura semelhante, formada por um domínio de ligação ao ligante hormonal, localizado na extremidade carboxi-terminal; um domínio de ligação central ao DNA, que compreende também o sítio de dimerização, posteriormente explicado; e um domínio de transativação na extremidade amino-terminal, responsável pela interação com os elementos de transcrição basal e com outros fatores de transcrição.
Uma característica diferencia o GR dos demais receptores nucleares é o fato de que ele, quando não ligado a glicocorticóides, encontra-se inativo no citoplasma, ao passo que os demais muitas vezes já se encontram, mesmo na ausência de um hormônio ligante, situados dentro do núcleo, em virtude da existência de um sinal de translocação nuclear existente em suas estruturas primárias. O que possibilita a estabilidade do GR no citosol é um complexo protéico formado a partir de chaperonas, mais especificamente duas moléculas de hsp90 e uma de hsp59. Estas tão importantes proteínas alteram a estrutura tridimencional do receptor, permitindo uma conformação que favoreça a ligação ao glicocorticóide. Logo após a associação ao hormônio, o receptor se dissocia das chaperonas, e o novo complexo se une a outro complexo semelhante, formando homodímeros.
A especificidade do GR, entretanto, deve-se à sua habilidade em reconhecer as sequências de ligação em genes-alvo, denominados elementos de resposta aos glicocorticóides (GRE). A ligação do complexo hormônio-receptor ao GRE é mediada pela já mencionada região do receptor denominada domínio de ligação central ao DNA. Esta região, assim como ocorre no domínio de ligação hormonal, apresenta uma elevada homologia entre todos os receptores nucleares, possuindo também uma estrutura bastante semelhante, formada por dois subdomínios denominados dedos de zinco. A estrutura secundária de cada um desses domínios é bastante conservada e mantida por nove resíduos de cisteína, dos quais oito interagem de modo coordenado, assumindo as formas tetraédricas separadas que permitem a ligação ao átomo de zinco. Os quatro resíduos de cisteína localizados em cada dedo ligam-se a uma molécula de zinco, permitindo sua ligação ao material genético.
A ligação dos GR aos fatores de transcrição ou às moléculas co-ativadoras é mediada pelo domínio de transativação. As moléculas de receptores apresentam pelo menos dois domínios de transativação, sendo um em sua extremidade carboxi-terminal e outro em sua extremidade amino-terminal. A principal função do domínio de transativação da extremidade carboxi-terminal é oferecer um equilíbrio sinérgico ao da outra extremidade (por esse motivo essa primeira região não foi citada anteriormente), otimizando a eficiência dos GR.
Como já mencionado, os GR ativados são capazes de atuar especialmente como homodímeros, ligando-se ao DNA em uma sequência específica de seis nucleotídeos (hexâmeros), denominada “half-sites”. Os receptores de hormônios esteróides em geral, com exceção do estrógeno, se ligam à sequência específica AGAACA. Seus homodímeros se ligam preferencialmente a duas sequências de hexâmeros orientadas em sentidos opostos (lembre-se que são duas moléculas de receptores e duas fitas em uma dupla hélice de DNA; enquanto um receptor se une a uma fita, o outro se une à complementar em um ponto diferente da fita complementar, obedecendo ao princípio de leitura 5’ à 3’, em que haja a mesma sequência específica já citada. Isso fará com que seja possível a leitura em sentidos opostos, uma vez que os receptores só lêem nesse sentido já comentado). Esse tipo de interação é denominada “repetições invertidas”. Outros receptores nucleares, como o receptor do hormônio tireoidiano, entretanto, ligam-se ao DNA na forma de heterodímeros. A interação desses heterodímeros com a molécula de DNA ocorre com as sequências de hexâmeros orientadas em mesmo sentido, sendo essa interação denominada “repetições diretas”.
O determinante primário da especificidade do reconhecimento dessas sequências se deve a um grupo de resíduos de aminoácidos localizados na base do primeiro dedo de zinco, no chamado Box P do domínio de ligação ao DNA. Os aminoácidos da base do primeiro dedo de zinco, adjacentes aos resíduos de cisteína, são críticos na definição da especificidade da ligação aos elementos responsivos. A função do segundo dedo de zinco ainda não está totalmente elucidada, mas acredita-se que ela auxilie na estabilidade da ligação da proteína ao DNA.
Em um próximo post discutiremos melhor quais são os mecanismos de ação hormonal em face da estrutura do GR.
Por Plínio Rodrigo Máximo Macêdo
Bibliografia:
Aspectos moleculares da sensibilidade aos glicocorticóides; Cláudia D.C. Faria; Carlos Alberto Longui; Laboratório de Medicina Molecular, Departamento de Ciências Fisiológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, SP
terça-feira, 5 de julho de 2011
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Síndrome de Cushing
A síndrome de Cushing é uma patologia caracterizada pela exposição prolongada a altos níveis de glicocorticóides. Esse excesso de glicocorticóides pode ser proveniente de um tratamento medicamentoso prolongado com esses hormônios, como em pacientes que tem lúpus, artrite reumatóide, asma, entre outras condições. Pode haver também uma produção endógena excessiva desse hormônio devido a um tumor na pituitária(que leva a uma produção excessiva de ACTH), um tumor na adrenal ou a uma predisposição familiar para a doença.
Entre os sintomas característicos dessa doença encontram-se: acúmulo de gordura entre os ombros, face arredondada,formação de estrias no abdôme, coxas, seios e braços, acne, pele frágil, amenorréia, baixa libido, fraqueza muscular, depressão, ansiedade, osteoporose, pressão alta, diabetes, entre outros.
O tratamento geralmente é feito combatendo-se o tumor que dá origem a doença. Pode ser feita uma retirada do tumor da hipófise, o uso de radiação ou até mesmo a retirada da adrenal caso não haja resposta as demais terapias. Podem ser usados também medicamentos no pré-operatório a fim de reduzir os sintomas da doença. Os mais comuns desses fármacos são o cetoconazol (Nizoral), o mitotano e a metopirona (ou metopirone em inglês).
Entre os sintomas característicos dessa doença encontram-se: acúmulo de gordura entre os ombros, face arredondada,formação de estrias no abdôme, coxas, seios e braços, acne, pele frágil, amenorréia, baixa libido, fraqueza muscular, depressão, ansiedade, osteoporose, pressão alta, diabetes, entre outros.
O tratamento geralmente é feito combatendo-se o tumor que dá origem a doença. Pode ser feita uma retirada do tumor da hipófise, o uso de radiação ou até mesmo a retirada da adrenal caso não haja resposta as demais terapias. Podem ser usados também medicamentos no pré-operatório a fim de reduzir os sintomas da doença. Os mais comuns desses fármacos são o cetoconazol (Nizoral), o mitotano e a metopirona (ou metopirone em inglês).
Por Daniela Frank de Albuquerque
Referências bibliográficas:
www.mayoclinic.com/health/cushings-syndrome/DS00470
www.uptodate.com/.../patient-information-cushings-syndrome-treat.
www.medicinenet.com › home › cushing's syndrome index
http://www.mayoclinic.com/health/cushings-syndrome/DS00470/DSECTION=treatments-and-drugs
domingo, 3 de julho de 2011
Gliconeogênese e Glicocorticóides
Os glicocorticódes possuem esse nome justamente por fazerem parte do metabolismo da glicose, em outras palavras, são corticóides produzidos pelas adrenais que ativam a via de gliconeogênese. A gliconeogênese é uma via de produção de glicose que parte de substratos de origem não glicídica tais como: lactato, piruvato e oxaloacetato.

Em situações como a de jejum a via de regulação hipotálamo-hipófese é ativada, os glicocorticóides produzidos são transportados pela corrente sanguínea – afinal, são hormônios- por globulinas transportadoras de corticóides (CBG). Ao chegar em suas células alvo entram pela membrana plasmática e ativam receptores intracelulares específicos. Esse complexo de glicocorticóide mais seu receptor entra finalmente pela carioteca no núcleo, onde realiza na eucromatina nuclear a ativação de genes específicos para a gliconeogênese no fígado, e degradação proteica nas células musculares.
Uma vez presentes os substratos necessários a via gliconeogênica é ativada no fígado. Importante lembrar que essa via é praticamente o contrário da via glicolítica,e para que ocorra são necessárias adaptações das reações irreversíveis dessa segunda via. Lembre-se que as reações 1,3 e 10 da via glicolítica são exergônicas e seu inverso extremamente endergônico. Para começar a gliconeogênese é necessária a produção de PEP(fosfoenolpiruvato) à partir de lactato. Existem duas maneiras principais de tornar uma reação endergônica possível, no caso transformando-a em exergônica: mudando as concentrações de substratos e produtos ou acoplando uma reação extremamente exergônica à ela. Nas células hepáticas a segunda opção é a utilizada. Reações de descorboxilação são muito exergônicas, dessa forma é necessário descarboxilar lactato em PEP. Porém o lactato e PEP têm o mesmo número de carbonos e para que a descarboxilação aconteça é necessária primeiramente uma carboxilação, a qual ocorre dentro da mitocôndria sendo o lactato transformado em oxaloacetato pela enzima piruvato carboxilase. Após essa carboxilção o oxaloacetato é transformado em malato ou aspartato para atravessar as membranas mitocondriais, caso contrário ficaria retido na mitocôndria. No citossol o oxaloacetato é descarboxilado em PEP e a via gliconeogênica segue seu rumo até as outras reações 3 e1 que serão contornadas por libertação do fosfato da frutose-6-P e Glicose-6-P por hidrólise.
Por: Nícolas Nogueira
Bibliografia: http://www2.ufp.pt/~pedros/bq/gluconeog.htm
Princípios de Bioquímica; Lehninger; Nelson, David L.; Cox, Michael M.; Quinta Edição; Artmed, 2011.
sábado, 2 de julho de 2011
Síndrome de Addison
A síndrome de Addison, ou insuficiência adrenal primária, é caracterizada por uma baixa produção de hormônios do córtex das adrenais, sobretudo de glicocorticóides e de aldosterona. Estima-se que cerca de 1 a 4 pessoas entre cada 100.000 indivíduos tenham essa doença, que foi originalmente descrida pelo médico Thomas Addison, em 1849. Geralmente essa baixa atividade das adrenais é consequência de outras complicações, como doenças autoimunes, tuberculose, HIV, infecções fúngicas, hemorragias, tumores na adrenal, entre outras.
Além, disso, pode haver também uma produção reduzida de ACTH , o hormônio responsável por estimular as adrenais, havendo, portanto, uma atividade reduzida dessas glândulas(esse quadro é conhecido como insuficiência adrenal secundária).
É importante ressaltar também que pacientes que fazem uso medicamentoso de glucocorticóides por período prolongado podem apresentar sintomas semelhantes aos da doença de Addison caso os medicamentos sejam subitamente suspensos. Isso ocorre porque o fornecimento de glicocorticóide exógeno gera um feedback negativo na síntese endógena desse hormônio, levando a uma baixa atividade da adrenal. Assim, recomenda-se que haja uma retirada gradual desses medicamentos, de forma a se evitar posteriores complicações.
Os sintomas mais frequentes são: redução da pressão sanguínea e do ritmo cardíaco, hiperpigmentação da pele, diarréia crônica, fraqueza muscular, fadiga, perda de apetite, perda de peso, letargia, náusea, vômitos e vontade exagerada de ingerir sal.
A redução da pressão sanguínea e do ritmo cardíaco estão relacionadas a função que os glucocorticóides exercem no metabolismo do stress e a uma deficiência, ainda que em menor grau, na produção de aldosterona. Os glicocorticóides, como já explicitado, ajudam a aumentar o ritmo cardíaco e a pressão sanguínea em resposta a situações de stress. Já a aldosterona é responsável pelo balanço de sódio e potássio no corpo, sendo que a sua carência leva a baixas concentrações de sódio e altas concentrações de potássio no sangue. O sódio é o grande regulador da pressão sanguínea, estimulando a retenção de água e o aumento da pressão. Assim, baixas concentrações de sódio devido a uma carência em aldosterona levam a uma queda na pressão. A queda nos níveis de sódio justifica também a vontade exagerada de ingerir sal.
Como o cortisol atua também no metabolismo de carboidratos, lipídeos e proteínas, estimulando a gliconeogênese e a formação de estoques de gordura a longo prazo, sua carência pode levar a uma perda de peso não intencional.
Geralmente, o tratamento da doença de Addison é feito por meio de reposição hormonal, de forma que o paciente recupere os efeitos desejáveis desses hormônios. No entanto, a longo prazo, o tratamento deve englobar também a doença causadora da insuficiência adrenal.
Aqui uma hiperpigmentação da gengiva, um sintoma típico da doença de Addison
Por Daniela Frank de Albuquerque
Referências bibliográficas:
http://bodyandhealth.canada.com/condition_info_details.asp?disease_id=331
http://www.mayoclinic.com/health/addisons-disease/DS00361
http://www.medicinenet.com/addison_disease/article.htm
Como os glicocorticóides interferem na coagulação sanguínea?
Respondendo a uma das perguntas do Watch'N'Ask... Como já explicado anteriormente, os glicocorticóides interferem na síntese de derivados oxigenados do ácido aracdônico, isto é, interferem na síntese de tromboxanas, prostaglandinas e leucotrienos (que são elementos chave em processos inflamatórios, lembra???). Essa atuação leva a uma inibição da produção desses eicosanóides. Isso ocorre por meio de dois mecanismos principais: 1)via lipocortina que impede a liberação de ácido aracdônico livre, 2) via inibição de algumas enzimas como a COX que atuam na síntese desses compostos.Vale lembrar que essa inibição se deve a uma redução na transcrição gênica dessa enzima.
Como as tromboxanas promovem a agregação de plaquetas e a coagulação sanguínea, é de se esperar que o uso de glicocorticóides leve a uma redução na formação de trombos. Apesar de essa proposta ser lógica, o que observa em alguns casos é que os glicocorticóides não conseguem reduzir significativamente a taxa de tromboxanas no plasma sanguíneo, de forma que o seu uso nem sempre tem esse efeito anti-coagulante esperado. Essa contradição foi apenas parcialmente elucidada até o presente momento, razão pela qual não vamos explicá-la aqui.
Como as tromboxanas promovem a agregação de plaquetas e a coagulação sanguínea, é de se esperar que o uso de glicocorticóides leve a uma redução na formação de trombos. Apesar de essa proposta ser lógica, o que observa em alguns casos é que os glicocorticóides não conseguem reduzir significativamente a taxa de tromboxanas no plasma sanguíneo, de forma que o seu uso nem sempre tem esse efeito anti-coagulante esperado. Essa contradição foi apenas parcialmente elucidada até o presente momento, razão pela qual não vamos explicá-la aqui.
Outro dado interessante é o fato de pacientes com síndrome de Cushing terem maior tendência na formação de coágulos. Esse dado também contraria a lógica de que a exposição a altas doses de glicocorticóides (o que caracteriza a doença de Cushing) levaria a uma redução da capacidade de coagulação. O que se acredita, nesse caso, é que a formação de coágulos esteja relacionada a um outro mecanismo, no caso o aumento na transcrição do gene do fator VIII e do complexo von Willebrand (ambos essenciais a coagulação- conhecidos como fatores anti-hemofílicos).
Conclui-se, portanto, que é plausível racionalmente relacionar o uso de glicocorticóides a uma redução da capacidade de coagulação. No entanto, pesquisas tem revelado não haver interferência significativa desses medicamentos na coagulação, de forma que ainda são necessários mais estudos em torno da questão.
Por Daniela Frank de Albuquerque
http://csrf.net/page/ectopic_cushings_syndrome.php
Anticoagulant prophylaxis markedly reduces thromboembolic complications in Cushing's syndrome.
Boscaro M, Sonino N, Scarda A, Barzon L, Fallo F, Sartori MT, Patrassi GM, Girolami A
J Clin Endocrinol Metab. 2002;87(8):3662.
Department of Internal Medicine, Division of Endocrinology, University of Ancona, 60100 Ancona, Italy.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/3983796
http://www.mhhe.com/biosci/esp/2002_general/Esp/folder_structure/tr/m1/s7/trm1s7_3.htm
domingo, 19 de junho de 2011
De que forma a prática de exercícios físicos auxilia no metabolismo da glândula tireoide?
A glândula tireóide além de produzir triiodotironina e tetraiodotironina produz também calcitonina, como já mencionado anteriormente. A calcitonina é liberada em situação de hipercalcemia sanguínea, inibindo a retirada do cálcio presente na matriz óssea. A atividade física aumenta o nível desse hormônio. Vale lembrar que os íons de cálcio são os intermediários entre o impulso nervoso e a contração muscular, fazendo com que as cabeças de actina e miosina se liguem, o que promove a contração muscular.
A tiroxina, ou tetraiodotironina, sofre deiodação podendo originar T3 ou rT3, o T3 reverso, sendo esta uma via alternativa. Como mencionado na postagem “Mecanismo de ação dos hormônios da tireóide”, T3 possui uma afinidade muito maior ao seu receptor do núcleo da célula alvo do que T4 e, deste modo, é considerado a forma metabolicamente ativa. O T3 reverso é considerado inativo e é produzido em grande quantidade na existência de doenças crônicas, na deficiência de carboidratos e em situações de stress, como o caso de exercícios físicos.
Em situações de atividade física a via alternativa de deiodação do T4 poupa energia e ocorre em proporções maiores assim como a via principal, embora a quantidade de T3 livre no sangue não seja alterada. A quantidade de TSH no sangue é elevada nessas situações e a quantidade de T4, assim como a de T3, continua igual.
Por Helouise Bitencourte
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Referências Bibliográficas:
Harper: Bioquímica; Murray, R. K.; Granner, D. K.; Mayes, P. A.; Rodwell, V. W.; Sétima Edição; São Paulo, Atheneu, 1994.
Bioquímica Básica; Torres, Bayardo Baptista; Marzzoco, Anita; Segunda Edição; Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 1999.
http://search.babylon.com/imageres.php?iu=http://www.afarias.blog.br/wp/images/AtividadesFsicasRegularesAtenuamadisfuno_10E8C/disfuno_ertil_thumb.jpg&ir=http://www.afarias.blog.br/wp/?p=652&ig=http://images.google.com/images?q=tbn:ANd9GcRJJH6XeGk5sCuDGEwbNymfEx1Lwkc6XUMcszNdUYgSsorByrfy806EAg:www.afarias.blog.br/wp/images/AtividadesFsicasRegularesAtenuamadisfuno_10E8C/disfuno_ertil_thumb.jpg&h=267&w=369&q=atividades%20fisicas&babsrc=home
sábado, 18 de junho de 2011
A saúde da Dilma
A reportagem principal da revista Época de no 680, entitulada “A saúde da Dilma”, revela que a presidente tem tireóide de hashimoto. Em virtude da compatibilidade dessa informação com o assunto do nosso blog, vamos explicar melhor o que vem a ser essa doença
A tireóide de Hashimoto recebeu este nome em homenagem ao médico que a descobriu, o doutor Hakaru Hashimoto, em 1912. Trata-se de uma doença auto-imune, sendo a causa mais comum de hipotireoidismo nos EUA. Apesar de estar muito associada a casos de hipotireoidismo, os dois termos não são intercambiáveis. A tireóide de Hashimoto é uma doença que pode ter diversos sintomas ou mesmo permanecer assintomática por muitos anos, enquanto que o hipotireoidismo é uma condição clínica de baixa atividade da glândula tireóide.
Muitas vezes, pacientes com tireoide de Hashimoto são assintomáticos durante a maior parte de vida, só vindo a desenvolver a doença já em idade adulta.Os sintomas mais comuns são aumento no tamanho da glândula tireóide, depressão, fatiga, ganho de peso, constipação, queda de cabelos, problemas de fertilidade e dores nas articulações e nos músculos. É importante frisar que na doença de Hashimoto pode haver momentos em que a atividade da tireóide é aumentada após períodos de hipotireoidismo, havendo alternância entre sintomas de hiper e hipotireoidismo.No caso da presidente Dilma, a tireóide de Hashimoto levou a um quadro de hipotireoidismo, como informa a reportagem.
A tireóide de Hashimoto não tem cura, mas o hipotireoidismo por ela gerado pode ser controlado com a reposição de T3 e T4. O remédio usado pela presidente, o Synthroid, é na verdade o hormônio T4 (levotiroxina de sódio) produzido artificialmente. Se houver desenvolvimento de inflamações na tireóide, é comum o uso conjunto de corticóides(que são poderosos anti-inflamatórios, como já citado).
Molécula da levotiroxina de sódio, componente ativo do Synthroid, o remédio usado pela Dilma.
O diagnostico da tireóide da Hashimoto é feito de diversas formas. Pode-se realizar exames de sangue para detector primeiramente o hipotireoidismo. Taxas baixas de T3 e T4, ou taxas altas de TSH revelam quadros de hipotireoidismo. As taxas altas de TSH(hôrmio estimuante da tireóide) são uma tentativa de hipófise de equilibrar a baixa produção de T3 e T4, sendo típica do período inicial de desenvolvimento do hipotireoidismo. Se detectado o hipotireoidismo, deve ser feito um exame extra para detectar as taxas de anticorpos contra tireoglobulina e contra a tireóide peroxidase, as duas principais enzimas da tireoide. Se essas taxas se apresentarem elevadas, trata-se de um quadro de tireóide de Hashimoto que levou a um hipotireoidismo.
O outro medicamento utilizado no tratamento da presidente foi o Calcort, um corticóide, que tem por princípio ativo o deflazacorte. Esse medicamento tem ação anti-inflamtória, sendo usado no controle de respostas alérgicas exageradas, inflamações de pulmão e de articulações. Além disso, esse medicamento também atua reduzindo o número de certas “células brancas”do sistema imune, sendo muito utilizado no tratamento de doenças autoimunes e de certos tipos de câncer, como linfomas a leucemia.
No caso, a utilização mais recente desse medicamento pela presidente foi contra um quadro de pneumonia, provavelmente para reduzir inflamações no pulmão. No entanto, é possível que o mesmo medicamento tenha sido usado anteriormente contra o linfoma(câncer nos nódulos linfáticos) ou contra a tireóide de Hashimoto(que é uma doença auto-imune).
Além disso, foi citado que a pesidente faz uso do slow-K, um medicamento a base de cloreto de potássio utilizado para aumentar os níveis de potássio no sangue. Baixos níveis de potássio no sangue podem estar relacionados a uma atividade alta da glândula adrenal, sobretudo a região produtora de mineralocorticóides. Os mineralocorticóides, principalmente a aldosterona, atuam aumentando a eliminação de potássio e a reabsorsão de sódio. Assim, uma produção acentuada desse hormônio pode levar a uma baixa de potássio, o que é corrigido usando-se o slow-K.
Por Daniela Frank de Albuquerque
Bibliografia:
www.medicinenet.com/hashimotos_thyroiditis/article.htm
thyroid.about.com/cs/hypothyroidism/a/hashivshypo.htm
http://emedicine.medscape.com/article/120937
www.netdoctor.co.uk/medicines/100000429.html
www.rxlist.com/synthroid-drug.htm
www.rxlist.com › ... › slow-k (potassium chloride) drug center
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